Moedas do Brasil
As moedas do Brasil constituem um dos capítulos mais relevantes da numismática colonial portuguesa, refletindo mais de três séculos de administração e desenvolvimento económico no maior território ultramarino do império. A circulação monetária iniciou‑se no século XVI e evoluiu através de reformas que introduziram o real, o vintém, o tostão, o cruzado e, mais tarde, o sistema baseado no réis. Nos primeiros períodos, a escassez de numerário levou à utilização de moedas estrangeiras de prata, autorizadas por carimbos oficiais que validavam a sua circulação; mais tarde, esses carimbos foram aplicados também para revalorizar moedas portuguesas, ajustando‑as às necessidades locais. A produção monetária tornou‑se expressiva com emissões em ouro, prata e cobre cunhadas em várias Casas da Moeda do Brasil, como Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais, que garantiram autonomia produtiva e responderam à intensa atividade económica do Atlântico Sul. Estas moedas distinguem‑se pela variedade de valores faciais, iconografia adaptada ao contexto colonial e padrões de fabrico que evoluíram de cunhagens manuais para produções industriais, culminando nas últimas emissões antes da independência em 1822.