Óbolo de Bronze (AE20), Cleópatra VII, Thea Neotera (51–30 a.C.), Reino Ptolemaico, Alexandria, Egito, Possível legenda: ΚΛΕΟΠΑΤΡΑΣ ΒΑΣΙΛΙΣΣΗΣ
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Devido à existência de múltiplas variantes e semelhanças entre as emissões de bronze do Reino Ptolemaico, esta classificação deve ser considerada provisória. As diferenças subtis no estilo, nos monogramas e nos módulos tornam por vezes difícil uma atribuição definitiva apenas com base em observação visual. Recomenda-se a consulta dos principais catálogos de referência especializados, a fim de confirmar a identificação e o número de catálogo com maior precisão. Entre as obras fundamentais destacam-se:
- Lorber, Catharine C. – Coins of the Ptolemaic Empire (vols. I–II)
- Svoronos, J.N. – Ta Nomismata tou Kratous ton Ptolemaion
- British Museum Catalogue – Greek Coins: Ptolemies, Kings of Egypt
Características descritivas:
- Reino: Egito Ptolemaico
- Reinado provável: Cleópatra VII, Thea Neotera (51–30 a.C.)
- Casa da Moeda: Alexandria
- Liga do metal: Bronze - Æ
- Denominação / valor: Óbolo de Bronze (AE20) = 40 dracmas
- Peso: 7,34 g.
- Diâmetro: 20 mm
- Espessura: 3,8 mm
- Rebordo / Orla / Cercadura :
- Bordo: liso irregular
- Eixo: Vertical ↑↑
Descrição e legenda do Anverso: (anepígrafa - sem legenda)
Ao centro, o Busto de Cleópatra VII virada à direita. diademado e drapeado com cabelo preso em coque.
Descrição e legenda do Reverso:
Ao centro, águia voltada à esquerda, com asas fechadas, pousada sobre raio horizontal, à esquerda uma cornucópia, legenda grega “ΚΛΕΟΠΑΤΡΑΣ ΒΑΣΙΛΙΣΣΗΣ” (KLEOPATRA BASILEWS -Tradução aproximada do grego: “Da Rainha Cleópatra”).
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Factos Históricos: (créditos bibliográficos: ChatGPT, com base em fontes históricas reconhecidas)
- Cleópatra VII Thea Neótéra (69–30 a.C.) foi a última rainha da dinastia ptolemaica e governou o Egito de 51 a.C. até à sua morte em 30 a.C. Pertencente à linhagem grega dos Lágidas, Cleópatra era filha de Ptolomeu XII Auletes e tornou-se inicialmente co-regente com o seu irmão e marido, Ptolomeu XIII, numa fase marcada por conflitos internos e instabilidade política. Após desentendimentos com o irmão, foi deposta temporariamente, mas regressou ao poder com o apoio militar de Júlio César, consolidando-se como governante legítima do Egito.
- Durante o seu reinado, Cleópatra distinguiu-se pela capacidade política, diplomática e cultural, procurando fortalecer a posição do Egito no Mediterrâneo oriental num período de crescente intervenção romana. A sua célebre aliança pessoal e política com Júlio César permitiu-lhe restaurar a autoridade sobre o Egito e neutralizar rivais internos. Após o assassinato de César, Cleópatra estabeleceu nova aliança estratégica com Marco António, com quem teve filhos e formou um bloco político que contestou a influência de Otaviano em Roma.
- Cleópatra trabalhou ativamente para revitalizar a economia egípcia, reorganizando administrações locais, apoiando o comércio e reforçando o papel do Egito como grande produtor de cereais. Era também uma figura culta, fluente em várias línguas — possivelmente a única soberana ptolemaica a falar egípcio — e empenhada na preservação das tradições religiosas, promovendo rituais locais e apresentando-se como encarnação viva das divindades Isis e Hathor, fortalecendo assim a legitimidade faraónica no seio da população nativa.
- O fim da sua vida foi marcado pela derrota de Marco António e Cleópatra na Batalha de Áccio (31 a.C.) e pelo avanço das forças de Otaviano sobre o Egito. Após António se suicidar, Cleópatra tomou igualmente a própria vida em 30 a.C., marcando o término da dinastia ptolemaica e a incorporação do Egito como província do nascente Império Romano. A sua figura permanece uma das mais emblemáticas da Antiguidade, símbolo de poder, inteligência política e interculturalidade no mundo mediterrânico.