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UM POUCO DE HISTORIA DE PORTUGAL

D. AFONSO I




O
FUNDADOR


1128 – 1185

D Afonso I ou D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, nasceu
presumivelmente em Guimarães em 1109. Filho do conde D. Henrique de Borgonha e
de D. Teresa, filha de Afonso VI de Leão, apenas com 14 anos de idade armou-se
cavaleiro na si próprio. Devido ao ascendente que o conde galego Fernando Peres,
valido de D. Teresa, tomou no governo do Condado Portucalense, o infante
revoltou-se, com alguns barões portucalenses, conta a sua mãe e, na batalha de
S. Mamede, em 1128, entre as duas forças, o governo do condado passa para as
mãos de Afonso Henriques. Em 1139 o jovem príncipe intitula-se rei e vence os
mouros na batalha de Ourique. Consegue em 1143 que o Imperador Afonso VII o
reconheça como rei. Em 1146 casou com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de
Sabóia e do Piemonte. Em Março de 1147 Conquistou Santarém e, em Outubro,
Lisboa. Foi político astuto e guerreiro denodado. O nome de Ibn Arrique (filho
de Henrique) infundia terror respeito aos mouros, e Ibn Qací – que bateu moeda
muçulmana em Mértola e depois em Silves – procurou, em 1151, a sua aliança,
quando sentiu perigo perante os berberes Almoádas. O Papa Alexandre III, por
bula de 1179, confirmou o título de rei, usado por Afonso Henriques, e o domínio
de todos os territórios por ele conquistados aos mouros. Morreu em Coimbra a 6
de Dezembro de 1185 e foi sepultado na Igreja de Santa Cruz, Conforme a sua
determinação expressa. Este rei lavrou, com o nome Afonso, as primeiras moedas
portuguesas, o que é fortemente indiciado pela hesitação na escolha dos tipos,
bastante diferentes, pelo menos numa das faces, daqueles que irão
seguir-se.

D. SANCHO
I



O
POVOADOR


1185 –
1211


Nasceu em
Coimbra a 11 de Dezembro de 1154 o que foi segundo rei de Portugal. Filho de D.
Afonso Henriques, foi armado cavaleiro por seu pai na mesma cidade, em 15 de
Agosto de 1170. Casou com D. Dulce de Aragão, filha de Ramon Berenguer, conde de
Barcelona e, por morte de D. Afonso I, foi aclamado rei em 6 de Dezembro de
1185. A actividade que desenvolveu para expulsar os mouros do território entre o
Tejo e o Guadiana resultou num fracasso militar pois, além de perder as
conquistas já efectuadas no Algarve, não conseguiu impedir que os Almóadas
reconquistassem todos os territórios a sul do Tejo. A fronteira de Portugal
passava assim a ficar ao norte do que aquela que recebera por herança. Contudo,
o título de Povoador com que a História o premiou, mostra-nos que esta sua
actividade beneficiou de tal modo o País que apagou a lembrança da sua
actividade militar. Levantou castelos, erigiu conselhos, fundou vilas e aldeias
e atraiu numerosos colonos estrangeiros: deu quase 50 cartas de foral. Passou os
últimos anos de vida em contendas com o clero, das quais este saiu vencedor. D.
Sancho morreu em Coimbra em 26 de Março de 1211 e jaz na Igreja de Santa
Cruz.

D. AFONSO II



O
GORDO


1211-1223

Terceiro rei de Portugal, filho de D. Sancho e de D. Dulce de Aragão,
nasceu em Coimbra em 12 de Abril de 1185. Em Fevereiro de 1209 casou com D.
Urraca, filha de Afonso VIII de Castela, tendo sido aclamado rei, por morte de
seu pai a 27 de Março de1211. Começou o seu reinado reunindo cortes em Coimbra.
Em 1212 enviou como auxílio ao sogro um troço de cavaleiros e infantes, que se
juntou às várias forças reunidas em Toledo para a célebre batalha das Navas de
Tolosa, a 16 de Julho desse ano, a qual foi um golpe de misericórdia no domínio
almóada da Península. Foi também importante a reconquista de Alcácer do Sal, em
18 de Outubro de 1217, perdida por D. Sancho I em 1191. Foi político muito
enérgico e muito cioso da autoridade real, que procurou sempre fortalecer. Sem
índole guerreira, teve uma acção muito importante como legislador. Entrou em
litígio com as irmãs, exigindo-lhes a obediência dos seus senhorios à coroa e o
pagamento dos seus diretos, o que levou à interdição do Reino por mais de um
ano, por breve pontifício. Criou Inquirições e Confirmações de direitos e posses
de terras. Dos ódios que a sua política provocou veio a ser vítima o seu
sucessor. Morreu em Coimbra a 25 de Março de 1223 e foi para jazida no Mosteiro
de Alcobaça, por sua disposição.

D. SANCHO II



O
CAPELO

1223 –
1248


O primogénito de D. Afonso II nasceu em Coimbra em 1209. Quarto rei de
Portugal, sucedeu na coroa a seu pai, em 25 de Março de 1223. Casou com D. Mécia
Lopez de Haro, mulher de rara beleza, viuva de Álvaro Peres de Castro e filha de
Lopo Dias de Haro, o Cabeça brava, senhor da Biscaia. Continuou a conquista do
Alentejo com Elvas, Juromenha, Cerpa, Moura e Mértola e cortou o Algarve junto
ao Guadiana, deixando o barlavento impedido de receber a ajuda andalusa. Bravo e
generoso, D. Sancho II foi, porém, mal governante, permitindo que os fidalgos
praticassem violências e abusos. Vitima de intriga de que não soube sair, e com
o reino em completa anarquia, foi acusado pelo clero de imoralidade e
incapacidade, com queixas para Roma. Ademostado diversas vezes pelo Papa, os
bispos portugueses ao Concílio de Leão, de 1244, expuseram a situação do País, o
que levou Inocêncio IV a depor Sancho II do governo de Portugal, entregando-o ao
irmão D. Afonso, conde de Bolonha. Reduzido á condição de rei sem reino, D.
Sancho II foi a Castela pedir socorro, o que o Bolonhês neutralizou com o
argumento que os invasores ficariam sujeitos a excomunhão papal. O rei acabou,
assim, por se recolher a Toledo, onde morreu a 4 de Janeiro de 1248.


D. AFONSO III



O
BOLONHÊS


1248 -
1279


Quinto rei de Portugal, D, Afonso III nasceu em 1210 em Coimbra. Saiu
para França ainda muito novo, onde casou com a condessa de Bolonha, D. Matilde,
viúva de Filipe Hurepel, o Crespo. O clero e a nobreza influenciaram o Papa a
nomeá-lo regente do reino em 21 de Setembro de 1245, e, por morte de seu irmão o
conde de Bolonha fez-se aclamar rei, de acordo com o disposto do testamento de
seu pai, D. Afonso II. Contraiu segundo matrimonio com D. Beatriz de Gusman,
filha natural de D. Afonso X de Castela e de Maria de Guillen, sendo ainda viva
D. Matilde. Tendo esta feito queixa ao Papa, foi o reino excomungado, por
adultério do monarca, situação que veia a resolver-se com a morte de D. Matilde
, em 1258. D. Afonso III foi, no dizer do cronista, muito bom rei e “ justiçoso
“. Concretizou a natural definição do território português com a conquista da
restante parte do Algarve. Convocou cortes em Leiria em 1254, nas quais pela
primeira vez teve voto o Terceiro estado, representado pelos procuradores dos
concelhos; reestruturou a moeda na base da libra-padrão; defendeu o património
da coroa por meio de confirmações régias, em regiões a norte do Tejo no ano de
1258; Lisboa passou a ser a capital do País. Apesar de dever ao clero a sua
designação para o governo do Reino e a resolução favorável do seu segundo
matrimónio – era parente de D. Beatriz em grau próximo -, teve vários conflitos
com  o poder eclesiástico, derivados das
inquirições que fez e que mostraram usurpação de terras, motivo por que também
teve o reino interdito pelo núncio papal. Morreu em Lisboa a 16 de Fevereiro de
1279 e o seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Alcobaça.

D. DINIS I



O
LAVRADOR


1279 –
1325


O sucessor de D. Afonso III nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1261 e
foi aclamado rei a 16 de Fevereiro de 1279, por morte de seu pai. Em 24 de Julho
de 1282 casou com D. Isabel, filha de Pedro de Aragão, mais tarde a Rainha
Santa. D. Dinis foi dos soberanos mais ilustrados da sua época. Se até ao seu
reinado as lides da guerra tinham sido o grande entretenimento e prazer, as
artes, quase abandonadas, começaram então a animar-se. Foi poeta e fundou, antes
de 1290, a primeira instituição universitária do País, o Estudo Geral, de
Lisboa. Desenvolveu a agricultura, o comércio, a navegação e a indústria. O
final do seu óptimo reinado foi em parte ofuscado por guerras civis. Primeiro,
seu irmão D. Afonso, senhor de Portalegre, pretendia herdar a coroa, alegando o
nascimento de D. Dinis ainda em vida da condessa de Bolonha. Depois foi o filho,
príncipe D. Afonso, que se revoltou, excitado pelo ciúme de que era causa a
afeição que D. Dinis testemunhava ao filho bastardo Afonso Sanches. D. Isabel, a
Rainha Santa, foi a grande mediadora nestas contendas infelizes. D. Dinis
faleceu em Santarém em 7 de Janeiro de 1325 e os seus restos mortais repousam em
túmulo no mosteiro de Odivelas. . 


D. AFONSO
IV



O BRAVO

1325 –
1357


D. Afonso IV, sétimo rei de Portugal, nasceu em Coimbra a 8 de Fevereiro
de 1291. Casou com D. Brites, filha de Sancho IV de Castela, em 1309. O seu
reinado, mercê das qualidades de administrador de que deu provas, teria deixado
na História excelente nome, se o não houvesse manchado, nos últimos anos, com o
bárbaro assassínio de D. Inês de Castro, em 1355. Tinha génio violento,
irascível e vingativo, mas por outro lado demonstrou ser dotado de prudência e
valor, como ao socorrer o rei de Castela, seu genro, contra o rei mouro de
Granada, Yúsuf I, e o seu aliado, o imperador merínida de Marrocos, Abu-I-Hassan
‘ Ali, a quem derrotaram na célebre batalha que os espanhóis chamam de Tarifa, e
os portugueses, do rio Salado (1340). D.Afonso IV era de costumes austeros e foi
o primeiro rei português que não teve filhos bastardos. Morreu em Lisboa a 28 de
Maio de 1357 e o seu túmulo encontra-se na Sé desta
cidade.

D. PEDRO
I



O
JUSTICEIRO


1357 –
1367


Nasceu em Coimbra, a 18 de Abril de 1320, o oitavo rei de Portugal, D.
Pedro I. Em Fevereiro de 1336 casou com D. Constança Manuel, filha do duque de
Penafiel e neta materna de Jaime II de Aragão. Falecida esta princesa em 1345,
D. Pedro passou a viver maritalmente com D. Inês de Castro, Filha bastarda de
Pedro Fernandes de Castro, de quem teve quatro filhos. Invocando razões de
Estado  ligadas à família de Inês, três
conselheiros de D. Afonso IV propuseram a morte desta, ao que o soberano acabou
por aceder e eles próprios concretizaram. Alucinado com este crime, o então
infante pegou em armas contra seu pai, mas acabou por lhe prestar obediência.
Quando subiu ao trono em 28 de Maio de 1357, foi um dos seus primeiros actos
reclamar os assassinos de Inês, refugiados em Castela, conseguindo dois, de quem
tirou cruel vingança. Mais tarde fez a coroação de D. Inês morta, Transladando o
féretro do Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, para um magnifico túmulo no
mosteiro de Alcobaça, e fez declaração publica de que tinha casado
clandestinamente com ela. Dotado de grande rectidão, chegava por vezes á
crueldade, açoitando por suas próprias mãos aqueles que incorriam na sua ira.
Conservou a paz no reino e desenvolveu o comércio, a agricultura e as artes.
Faleceu em Estremoz a 18-1-1367 e jaz na Igreja do Mosteiro de Alcobaça, em
túmulo semelhante ao de Inês.

D. FERNANDO
I



O
FORMOSO

1367 –
1383


D. Fernando nasceu em Coimbra a 31 de Outubro de 1345. Nono rei de
Portugal e último da primeira dinastia encontrou, ao subir ao trono, uma grande
fortuna em ouro e preta que, com as rendas das alfândegas e os direitos reais, o
fez o mais rico, até então, de todos os reis portugueses. Praticando, contudo,
uma política contrária aos interesses do País, envolveu-se em guerras ruinosas
com Castela, que acabaram por criar uma das piores crises da nossa história. A
acrescer, escolheu para esposa D. Leonor Teles, uma mulher já casada – para a
qual conseguiu anular o casamento – e que, sendo de grande beleza física era
também de extrema ambição e sem grande formação moral. Deixando-se influenciar
nefastamente pela rainha, passou  a ser
malquisto do povo, o que, pela narração do cronista, tudo viu ao sentir próxima
a hora da morte, dizendo então “crer nos sacramentos de Deus, de quem havia
recebido o Reino para o manter em direito e justiça, mas por seus pecados o
havia feito de tal guisa que deles lhe iria dar mau conto”. Todavia, enter
outras medidas de protecção e desenvolvimento do País, firmadas por este rei, a
lei das Sesmarias, de 28 de Maio de 1375, reconhecendo o direito de expropriação
da terra quando esta não fosse devidamente aproveitada, foi um diploma do maior
alcance económico, social e político; e a carta de privilégios, de 6 de Junho de
1377, aos moradores e vizinhos de Lisboa, para a compra ou construção de mais
de50 toneis, pelas isenções de serviços e de pagamentos que concedia, terá
contribuindo grandemente para o aumento da nossa frota marítima e do nosso
comércio. Faleceu D. Fernando em Lisboa a 22 de Outubro de 1383, sendo o seu
corpo levado para a Igreja de S. Francisco, em Santarém.

D.
BEATRIZ










PRETENDENTE

1383 –
1385


D. Beatriz, filha única de D. Fernando, nasceu em Coimbra em 1372.
Prometida em casamento diversas vezes, acabou D. Fernando por propô-la para
mulher do rei de Castela, João I, que tinha enviuvado, o que foi aceite. O
contrato, assinado em Badajoz a 17 de Maio de 1383, estipulava, entre outras
clausulas, que a coroa portuguesa pertencia, de direito aos reis de Castela se
D. Fernando ou a filha  falecessem s3em
descendentes legítimos, assim como a coroa castelhana pertencia ao rei de
Portugal se o rei de Castela ou a irmã morressem sem filhos legítimos. As
disposições, parecendo iguais, não o eram, porque a sucessão de Castela estava
já assegurada e em Portugal o rei estava 
doente e envelhecido e a filha, com 12 anos, poderia ou não Ter
herdeiros. Falecido D. Fernando na noite de 22 de Outubro de 1383, em breve a
regente Leonor Teles, a pedido do rei de Castela, determinou que se procedesse á
aclamação da filha e do marido como reis de Portugal, pregões que grande parte
da população não aceitou bem. João I invade Portugal e vem fixar arrajal em
Santarém em 12 de Janeiro de 1384, e ali fica até 10 de Março. Nesta cidade terá
sido, muito presumivelmente, batido por D. Beatriz o real de prata com o busto
coroado da rainha entre as letras S e A e as armas esquarteladas de Castela e
Leão e de Portugal. Do matrimónio desta princesa com o rei de Castela nasceu um
filho, D. Miguel, falecido com pouco mais de um ano. Ficando viúva a 9 de
Outubro de 1390, D. Beatriz faleceu em 1432, ou porventura em 1430, sendo
sepultada no Convento de N. S. das Mercês, em Valhadolid.

INFANTE D.
DINIS







PRETENDENTE

1383 – 1385


O infante D. Dinis, filho de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, nasceu
entre 1351 e 1353. A recusa em beijar a mão a Leonor Teles, em Leça do Bailio,
quando do casamento desta com D. Fernando, causou o seu afastamento da corte.
Depois da morte de D. Fernando, ficou sendo um dos possíveis sucessores da coroa
portuguesa, mas o facto de se Ter juntado às tropas de Henrique II, quando este
invadiu Portugal em 1373, e de se Ter colocado ao serviço de Castela, valeu-lhe,
nas cortes de Coimbra, em 1385, violentamente atacado por João das Regras Casou
com D. Joana, filha bastarda de Henrique II. Depois da morte de João de Castela,
os exilados portugueses aclamaram-no rei de Portugal e D. Beatriz chegou a
ceder-lhe os seus direitos ao trono português em 1398 invade Portugal pela
Beira, com tropas castelhanas de Henrique III, mas retira-se pouco depois. Os
torneses do rei D. Dinis, assim como alguns dinheiros do mesmo rei mais escassos
pelo tipo de gravura fina com letra cuidada, têm sido, por vezes, dados a este
infante D. Dinis, que os teria batido ao pretender o trono português. Tem-se
afigurado menos convincente tal dedução, atendendo à época tardia em que essas
emissões ocorreriam: quer o tornês quer o dinheiro tinham sido ultrapassados
durante a primeira parte de reinado de D. Fernando, com as desvalorizações
decorrentes tanto das guerras como principalmente da grave crise de metais
preciosos que a Europa então atravessava. A gravura mais perfeita daquelas peças
e o seu estilo mais cuidado, poderão atribuir-se um gravador com diferente arte
e sensibilidade, porventura contratado aquando da introdução do
tornês.

D. JOÃO








REGEDOR E
DEFENSOR DO REINO


1383 –
1385


D. João filho
ilegítimo de D. Pedro I e de  Teresa
Lourenço, nasceu em Lisboa a 11 de Abril de 1357 e, aos 7 anos de idade, foi-lhe
dado o mestrado da Ordem de S. Bento de Aviz. Após as cerimónias fúnebres de D.
Fernando, alguns nobres desaprovaram o valimento que o conde de Ourém, João
Fernandes Andiro, tinha junto da rainha viúva, e concluíram que só o Mestre de
Aviz o poderia matar, o que lhe foi proposto com um plano que o salvaguardava.
Com a morte do Conde o povo de Lisboa foi levantado em massa, a pretexto de que
a vida do Mestre corria perigo. A rainha Leonor Teles fugiu para Alenquer e os
amotinados decidiram eleger o Mestre de Aviz Regedor e Defensor do Reino.
Entretanto, o rei de Castela, João I, casado com D. Beatriz, filha única de D.
Fernando, invadiu Portugal e veio estabelecer arraial em Santarém, em 12 de
Janeiro de 1384. Depois obteve de Leonor Teles a desistência dos seus direitos á
regência de Portugal, acabando por mandar encerrá-la num mosteiro. Em 10 de
Março abandonou Santarém para atacar Lisboa, mas a vitória de Nuno Alvares
Pereira nos Atoleiros e a peste declarada nas tropas castelhanas que cercavam a
capital jogaram a favor de Portugal, e João I decide regressar ao seu país. Nas
cortes reunidas em Coimbra desde Março de 1385, o principal assunto era o
provimento do trono, estando os pareceres divididos entre os reis de Castela, os
filhos de D. Pedro I e de Inês de Castro e o Mestre de Aviz. Foi o jurisconsulto
João das Regras que, dissertando sobre as condições e o comportamento de todos
os presumíveis herdeiros legais, mostrou a incapacidade deles e estar o trono
vago. Foi então proposto á assembleia para rei, o Mestre de Aviz, que ali foi
aclamado a 6 de Abril de1385.

D.JOÃO I




O DE BOA
MEMÓRIA

1385 –
1433


O fundador da Dinastia de Aviz ou Joanina, D. João I, iniciou o seu
governo como rei, com a grande victória de Aljubarrota sobre as
desproporcionadas forças castelhanas, a 14 de Agosto de 1385. Contudo as
hostilidades continuaram com Henrique III e o próprio infante D. Dinis, filho do
nosso rei D. Pedro I, invade Portugal ao serviço de Castela. É já no reinado de
D. João II que é assinada a paz, a 31 de Outubro de 1411. Data de 1386 o tratado
de amizade e confederação entre Portugal e a Inglaterra, conhecido como Tratado
de Windsor. Desta aliança resultou também o casamento de D. João I com D.
Filipa, filha de João de Gant, duque de Lencastre, filho de Eduardo III de
Inglaterra, ocorrido no Porto a 2 de Fevereiro de 1387. Os filhos nascidos desta
união, pela sua educação e obras, foram designados por Camões de “Ínclita
Geração”. Em 1415 teve lugar a conquista da praça marroquina de Ceuta e depois,
sob a égide do Infante D. Henrique, chamado o navegador, deu-se início ao grande
ciclo das Descobertas dos Portugueses. D. João I foi um rei generoso, bravo e
leal, que manteve sempre grande popularidade. O se reinado esteve sujeito a
enorme inflação, bem patente nas suas moedas, ainda hoje de difícil seriação, e
nas leis publicadas para lhe atenuarem os seus efeitos. Faleceu em Lisboa a 14
de Agosto de 1433 e jaz no Mosteiro da Batalha, magnífico monumento, e de estilo
característico, que mandou construir para memória do grande feito de
Aljubarrota.

D. DUARTE
I



O
ELOQUENTE


1433 –
1438


Décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da dinastia fundada por seu
pai, D. Duarte nasceu em Viseu a 31 de Outubro de 1391 e foi aclamado em 14 de
Agosto de 1433. Possuía as virtudes de um grande rei e foi o soberano mais
ilustrado do seu tempo. Escreveu o Leal Conselheiro, A Arte de Bem Cavalgar Toda
a Sela, além de outras obras que primam pelo estilo elegante em relação à época
em que foram escritas. Deu continuação às descobertas mas o seu curto reinado
tornou-se notável por tristes acontecimentos. A fome, a peste e o grande
desastre de Tânger provocaram a perda de grande número de vidas. Das decisões
das Cortes de Leiria, onde se opuseram à troca do infante D. Fernando, cativo e
refém em Fez, pela praça africana de Ceuta, nunca D. Duarte se resignou,
sofrendo grande desgosto, até ser vitima da terrível peste, de que faleceu em
Tomar, a 9 de Setembro de 1438. Os seus restos mortais repousam no Mosteiro da
Batalha.

D. AFONSO
V



O
AFRICANO


1438 –
1481


D. Afonso V nasceu em Sintra a 15 de Janeiro de 1432. Aclamado rei em
Tomar a 10 de Setembro de 1438, casou em 1447 com sua prima, filha do infante D.
Pedro. Enquanto menor, governaram o reino a rainha D. Leonor e D. Pedro, até que
as Cortes de Lisboa retiraram a  tutela
de sua mãe, deixando-a exclusivamente ao tio.. Esta nova regência originou
despeitos e intrigas que levaram D. Afonso V a acusar o sogro. Quando este vinha
à corte justificar-se, travou-se luta no sítio de Alfarrobeira, de que resultou
a morte de D. Pedro, fazendo-se crer ao moço rei de 17 anos, que fora vencedor
de uma grande batalha campal. Fez várias expedições vitoriosas a África, nas
quais se mostrou mais corajoso do que prudente. Procurou juntar as coroas de
Portugal e de Castela e nesse intuito casou com sua sobrinha D. Joana, filha e
herdeira de Henrique IV. Ao ser esta preterida pelos castelhanos como sua
rainha, D. Afonso V invadiu Castela, mas foi derrotado na batalha de Toro.
Ferido no deu orgulho e desgostoso pelo resultado desta guerra, que lhe ofuscava
parte das glórias de África, faleceu em Sintra a 28 de Agosto de 1481, e jaz no
Mosteiro da Batalha. Muito generoso era dado às Artes e às Letras. Amador de
música também escrevia bem. Reformou a Universidade e fundou nos Paços da
Alcáçova uma livraria real, aberta ao público. Sob os auspícios de D. Afonso V,
Portugal tem a glória de ser o segundo país a introduzir a nobre arte
impressória, livros que, breve, as caravelas espalhavam pelo mundo. Durante este
reinado é abandonada a cunhagem de moedas de bolhão, passando, tanto as emissões
em prata como em ouro, a apresentar um toque muito
elevado.

D. JOÃO 
II




O PRÍNCIPE
PERFEITO


1481 –
1495


D. João II, décimo terceiro rei de Portugal, nasceu a 3 de Maio de 1455,
em Lisboa, e casou em Setúbal a 22 de Janeiro de 1471, com D. Leonor, filha de
D. Fernando, duque de Viseu. Por duas vezes foi aclamado rei: a 10 de Novembro
de 1477, quando da abdicação de D, Afonso V, acto que ficou nulo quando das
volta deste ao reino; por morte de seu pai, voltou a ser aclamado a 31 de Agosto
de 1481. Logo que empunhou o ceptro, D. João II afirmou o seu desígnio de
engrandecer o poder real e de abater a nobreza, que se tornara poderosa e
arrogante. Os fidalgos moveram-lhe enérgica oposição mas, descoberto o plano e
castigados os responsáveis, nova trama foi urdida, tendo os conspiradores
decidido o assassinato do rei. Sasbedor do que se passava, chamou o cunhado, D.
Jaime, duque de Viseu, lanchou-lhe um rosto e traição e apunhalou-o no palácio,
em Setúbal, a 22 de Agosto de 1483. A partir de então ninguém mais ousou
opor-se-lhe e D. João II governou tão bem que ficou conhecido como o Príncipe
Perfeito. Continuou a obra do infante D. Henrique e deu novo e poderoso impulso
às descobertas. Os judeus expulsos de Espanha, pelo fanatismo religioso de
Fernando e Isabel, foram habitualmente recebidos em Portugal, com as suas
indústrias e riquezas. Nada escapava ao olhar de D. João II, que tinha as
virtudes de um grande rei, justo, perspicaz e tolerante. A morte prematura do
seu único filho, D. Afonso, abateu a grande força do monarca. Faleceu em Alvor a
25 de Outubro de 1495, havendo suspeitas de ter sido envenenado. O seu corpo
encontra-se no Mosteiro da Batalha

D.MANUEL I



O
VENTUROSO


1495 –
1521


D. Manuel I, filho de D. Fernando e neto de D. Duarte, nasceu na vila de
Alcochete a 31 de Maio de 1469. Subiu ao trono a 25 de Outubro de 1495, pelo
falecimento, sem sucessor directo, de seu primo que o havia elevado em honras e
designado para herdeiro do trono. Em 1498 casou em Toledo com D. Isabel, filha
dos Reis Católicos, com a promessa da sucessão da coroa de Castela desde que
expulsasse os mouros e judeus que não quisessem receber o baptismo. Em 24 de
Agosto de 1498 enviuvou, tendo contraído novo casamento, em 30 de Outubro de
1500, com D. Maria, irmã de sua primeira mulher. D. Manuel tornou-se um rei
poderoso e tantos foram no seu  tempo os
acontecimentos felizes e gloriosos para Portugal, que ficou sendo chamado o
Felicíssimo ou o Venturoso. Em 1514 deslumbra a Europa com a oferta ao Papa de
um grande presente e de imensas riquezas. A 7 de Março de 1517 morreu a rainha
D. Maria e a 24 de Março do ano seguinte recebeu D. Manuel, em terceiro
matrimónio, D. Leonor, filha de Filipe I de Castela. Toda a prosperidade deste
reinado em nada beneficiou o povo, que continuou pobre e onerado de tributos,
tendo-se seguido rápida decadência. D. Manuel faleceu a 13 de Novembro de 1521
nos paços da ribeira, vítima de uma epidemia de febre que então grassava em
Lisboa. O seu corpo jaz na capela-mor da Igreja de Belém.

D. JOÃO III




O
PIEDOSO


1521 –
1557


Nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1502, o primogénito de D. Manuel, que,
por morte de seu pai, subiu ao trono em 13 de Dezembro de 1521. Casou com D.
Catarina, filha de Filipe I de Espanha, em 5 de Fevereiro de 1525. No intuito de
obstar à propagação do protestantismo, estabeleceu em Portugal, em 1531, a
Inquisição. Este tribunal, instituído em nome de santa doutrina do Crucificado,
acabou por perseguir tanto o judeu como aquele cujo espírito não seguisse o
rígido ditame da Igreja, pelo que acirrou o ódio religioso, perturbou a paz
social e levou à emigração de milhares de inconformados, que procurarão melhores
condições nos Países Baixos, em França e na Itália. D. João III, apoiando sempre
o predomínio religioso, sem conselheiros à altura do império que se havia
formado, com uma máquina estatal inadaptada, sem um diálogo com os súbditos, com
um mau aproveitamento das receitas do monopólio do oriente e com o reino
castigado por várias epidemias, contribuiu muito para a longa decadência que se
estabeleceu e que não mais foi possível suster. Todavia, no campo da cultura e
das artes, o seu reinado foi positivo, ao serem criadas condições para o seu
florescimento. A abertura da Universidade em Coimbra, em 1537, onde se passou a
ensinar a Teologia, o Direito Civil e Canónico, A Medicina e as Artes, foi uma
medida importante, e lançam-se os fundamentos para a abertura de outra
universidade em Évora, o que sucederia em 1559, já no reinado seguinte. André de
Resende, Damião de Góis, Jerónimo Osório, António de Gouveia e tantos outros,
elevam bem alto o sentimento português e mostram uma grande cultura lusíada. D
João III faleceu em Lisboa a 11 de Junho de 15557 e o seu corpo repousa na
Igreja dos Jerónimos, em Belém.

D. SEBASTIÃO
I



O
DESEJADO


1557 –
1578


D. Sebastião, filho do príncipe D. João e de D. Joana, filha do
imperador Carlos V, nasceu a 20 de Janeiro de 1554, algumas semanas depois da
morte de seu pai. Herdou a coroa, por morte de seu avô, D. João III, em 11 de
Junho de 1557, com apenas três anos de idade, sendo regente, durante a
menoridade, a rainha D. Catarina. O cardeal D. Henrique, ambicioso do poder e no
elevado cargo de inquisidor geral, não poupou enredos e resistências à cunhada
que, que para o contentar, o nomeou adjunto do governo até às cortes reunidas
nos Paços da Ribeira, onde lhe fez entrega da regência e da tutoria do rei. A
esse tempo D. Aleixo de Menezes educava com branduras o jovem rei, a quem o seu
perceptor, o jesuíta Luís Gonçalves da Câmara, dominava incutindo-lhe, com
devoção ascética, um orgulhoso entusiasmo pelas conquistas de África e da Ásia.
D. Sebastião tomou conta do governo em 20 de Janeira de 1568 e entregou-se logo
à realização dos seus sonhos: a conquista do Norte de África. Surdo aos
prudentes conselhos de quem tentou dissuadi-lo, o jovem rei pagou com a vida os
seus erros, tendo morrido na batalha de 
Alcácer-Kibir, em 4 de Agosto de 1578. A sua morte deu lugar a várias
lendas e á crença no Sebastianismo. Os restos mortais que se supõem de D.
Sebastião, encontram-se na Igreja de Belém. Data de 1575 o uso, por escrito, do
plural irregular réis, em vez de reais.

HENRIQUE
I



O
CASTRO


1578 –
1580


Filho de D. Manuel I e da Rainha D. Maria, D. Henrique nasceu em Lisboa
em 31 de Janeiro de 1512. Destinado à vida eclesiástica, estabeleceu em Portugal
o Tribunal da Santa Inquisição em 1539 de que foi feito inquisidor-geral. Por
várias vezes regente do reino, recebeu a notícia do desastre do norte de África
na sua abadia de Alcobaça, partindo logo para Lisboa afim de formar uma junta
governativa, até oficialmente se confirmar a morte do sobrinho, sendo aclamado
rei a 28 de Agosto de 1578. Velho e supersticioso, pouco esclarecido, sem amor
pelas artes, tão devoto e austero que chegava a fanático, apenas se tornou
notável na ambição estéril e dúbia altivez. O seu curto reinado foi um período
atroz para o país, dizimado por fome e epidemias, agitado pelas intrigas dos
pretendentes à sucessão do velho monarca. Para se designar o herdeiro da Coroa,
foram realizadas em 11 de Janeiro de 1580 as cortes de Almeirim onde D. Henrique
usou de toda a influência para que a escolha recaísse em Filipe II de Espanha,
não logrando porém o seu intento, pois o voto não foi aceite, como se esperava,
desenvolvendo-se grande oposição popular. No dia 30 de Janeiro de 1580, entregou
D. Henrique o espírito a Deus e o reino aos governadores, entretanto nomeados,
tendo o seu corpo sido trasladado de Almeirim para a Igreja de Belém, onde se
encontra.

GOVERNADORES

DO REINO







1580

Os cinco governadores, eleitos nas cortes de Lisboa de 1579 foram
confirmados no testamento de D. Henrique e assumiram o poder em 31 de Janeiro de
1580. Eram eles D. Jorge de Almeida arcebispo de Lisboa; D. Francisco de Sá e
Meneses, camareiro-mor do falecido monarca; D. João de Mascarenhas, o defensor
de Diu; João Teles de Meneses, senhor de Aveiras e Diogo Lopes de Sousa, senhor
de Miranda. O arcebispo, hábil cortesão, conservava-se numa política expectante
e D. João Teles de Meneses, de conhecida probidade mas inexperiente e de
acanhada inteligência, prestava-se, sem o saber, aos planos dos colegas. Os
restantes três governadores eram reconhecidos parciais de Castela. Em tais
homens não podia o povo confiar e, descontente, engrossava o partido de D.
António, que pelo arrojo e actividade era, dos pretendentes, o único decidido a
sacrificar-se pela independência portuguesa. Ao rebentar em Setúbal a revolução
a favor do Prior do Crato, escaparam-se milagrosamente os governadores para
bordo de uma embarcação, que os levou para Aiamonte. Lograram depois tomar
aposentadoria em Castro Marim, de onde fulminaram sentença condenatória contra
D. António e declararam, a 17 de Julho de 1580, Filipe II de Espanha rei
hereditário de Portugal.

D. ANTÓNIO
I



O PRIOR DE CATRO

1580 – 1583

D. António, filho do infante D. Luís e de Violante Gomes, era neto de D.
Manuel I e nasceu em Lisboa em 1531. A sua vida aventureira foi tão cheia de
factos extraordinários que chamou a atenção da Europa. Designado Prior do Crato,
saíu do reino por desavenças com seu tio, o Cardeal D. Henrique. Voltou a
Portugal e partiu para Tânger como governador nomeado por D. Sebastião, de que
foi, passado pouco tempo, demitido. Na batalha de Alcácer-Kibir ficou cativo mas
logrou escapar sem ser conhecido, mediante resgate pago por um judeu seu amigo.
De regresso à pátria, a sua afirmação de direitos na sucessão do trono motivou
novas desinteligências com o Cardeal, que o desterrou da corte. Inquietando os
agentes de Madrid, D. António acusava publicamente os governadores do reino de
estarem ligados ao monarca espanhol. Filipe II tinha as suas tropas em Badajoz
prontas para invadir Portugal e a 18 de Junho a praça de Elvas informou que se
lhe entregava, o que causou grande impressão. No dia seguinte, em Setúbal, o
povo aclama rei D. António, assim como em Santarém e Lisboa. No dia 28 as tropas
espanholas atravessaram o Caia e entraram em Portugal. D. António teve contra
ele a força das armas, do ouro e as traições, e, após alguns anos de luta,
ostentando sempre uma constância altiva e sofrendo com resignação e coragem as
maiores privações, morreu em Rueil, perto de Paris, a 26 de Agosto de 1595, com
64 anos de idade. Bateu moeda em Portugal – a qual o rei de Espanha mandou
destruir em Fevereiro de 1581 – e também em Angra, nos Açores, onde foram
contramarcadas, juntamente com outras dos reis anteriores, com a figura de um
açor.

D. FILIPE
I







O
PRUDENTE


1580 –
1598


Filho de Carlos I e de Isabel de Portugal, Filipe I nasceu em Valladolid
a 21 de Março de 1527. Alcunhado de  “ O
Demónio do Meio Dia “, é acusado pela História de crimes enormes, contando
depois cegamente com a Igreja para uma absolvição plena. Fanático, hipócrita e
orgulhoso das grandezas reais, que fazia acatar ao excesso, julgava-se
vaidosamente predestinado por Deus para engrandecer o catolicismo sobre as
cinzas da heresia. Foi este rei, de carácter sombrio e vingativo, que,
empregando a intriga e a corrupção, se impôs a Portugal como legítimo sucessor
da coroa, em 17 de Julho de 1580. O seu orgulho foi seriamente abatido quando
pretendia conquistar a Inglaterra com a poderosa Armada Invencível, a qual,
saída do Tejo a 27 de Maio de 1588, foi destroçada por um temporal, tendo o
almirante Drake metido a pique o que dela restava. Foi o começo da decadência do
império espanhol na Europa. Tendo casado quatro vezes, Filipe I morreu a 13 de
Setembro de 1598 no Escorial, onde jaz.

D. FILIPE
II









O
PIO


1598 –
1621


Filipe II nasceu em Madrid a 14 de Abril de 1578 e subiu ao trono em 13
de Setembro de 1598. Casou em 8 de Abril de 1599 com D. Margarida de Áustria.
Apático e de saúde débil, era indolente e de acanhada inteligência para
sustentar com a precisa energia o grande império que seu pai lhe deixou. Durante
o seu reinado a situação de Portugal agravou-se muito. As possessões
portuguesas, atacadas por holandeses e ingleses, e entregues unicamente aos seus
escassos recursos, perderam toda a importância comercial. O governo esteve
entregue a favoritos ambiciosos que deligenciaram apagar em Portugal os restos
da sua autonomia e reduzir o País a uma província de Espanha. Filipe II visitou
Portugal de 10 de Maio a 24 de Outubro de 1619, tendo o depauperado povo pago
todas as despesa da viagem com uma derrama de mais de 500 mil cruzados, sem que
desta visita lhe tivessem vindo quaisquer benefícios. Chegou a haver  o projecto de estabelecer a capital de
Espanha em Lisboa, a que chamariam “ Felicitas Philippi “. A morte de Filipe II,
acontecida a 31 de Março de 1621, impediu tal
concretização.

D. FILIPE
III







O
GRANDE


1621 –
1640


Filho do anterior, Filipe III de Portugal e IV de Espanha nasceu em
Valladolid em 8 de Abril de 1605 e subiu ao trono a 31 de Março de 1621. De
fraca capacidade, deixou o governo entregue ao seu valido, conde duque de
Olivares, que continuou a agravar o País com novos impostos. Em fins de 1634 foi
nomeada vice-rainha de Portugal a duquesa de Mântua e Miguel de Vasconcelos
passava a secretário do Estado, em Lisboa. Este português de maus instintos
depressa se tornou odiado pelos seus compatriotas. A miséria do povo e o seu
descontentamento chegaram ao extremo e começaram a dar-se tumultos, um dos
quais, o de Évora, em 1637, foi quase uma revolução. Desde fins de 1639 alguns
nobres portugueses projectavam uma sublevação, para o que tentavam aliciar o
duque de Bragança, que nada dizia. O momento era propício por a Espanha estar
cheia de dificuldades: a sua esquadra fora derrotada no Canal de Inglaterra pela
dos holandeses, na Flandres e na Itália os seus generais foram obrigados a
render-se aos inimigos; na Catalunha vivia-se em revolta desde Junho de 1640. Os
ânimos estavam excitados, por serem os portugueses que receberam ordens para ir
combater os catalães sublevados, numa política de enfraquecimento do País. Em
Outubro de 1640 os conjurados tentam, de novo, demover o duque de Bragança, o
que por fim conseguem. Faltava ultimar os pormenores. Em reunião a 25 de
Novembro é marcado o dia 1 de Dezembro, pelas nove horas, para a sublevação,
sendo também reconhecida a necessidade de matar Miguel de Vasconcelos. A
revolução triunfava na capital, e ao cair da tarde diversos emissários corriam a
comunicar a boa nova ao Duque, que se encontrava em Vila Viçosa, assim como às
principais localidades do País. O jugo espanhol, que durante 60 anos nos
sufocara, fora finalmente deitado fora.

D. JOÃO
IV



O RESTAURADOR


1640 –
1656


D. João IV nasceu em Vila Viçosa a 18 de Março de 1604, filho do duque
de Bragança D. Teodósio e D. Ana de Velasco. Foi Duque de Barcelos e sucedeu a
seu pai na Casa e Ducado de Bragança, a 29 de Novembro de 1630. Casou em Elvas
com grande pompa, a 12 de Janeiro de 1633, com D. Luísa de Gusmão, filha do
duque de Medina Sidónia. Escolhido para ocupar o trono português, foi aclamado
pelo clero, nobreza e povo, a 1 de Dezembro de 1640, na cidade de Lisboa, onde
entrou muito vitoriado 6 dias depois, sendo coroado a 15 do mesmo mês.  Os socorros vindos de França, Inglaterra e
Suécia não fizeram prever a esperança aos partidários de Castela mas
fortaleceram-se os restauradores a 26 de Maio de 1644 teve lugar a primeira das
grandes vitórias da restauração, com a batalha do Montijo. D. João IV era
inteligente, pouco amigo de galas, muito reservado, prudente e justo. Amava
caçar e cultivou a música com grande distinção, deixando várias produções de
mérito. Faleceu a 6 de Novembro de 1656 e o seu corpo está no Panteão da Igreja
de S. Vicente de Fora.

D. AFONSO VI




O
VITORIOSO


1656 –
1667


D. Afonso VI nasceu em Lisboa a 21 de Agosto de 1643 e subiu ao trono
por morte do pai em 1656. Enquanto menor foram os negócios do estado por sua mãe
e, durante a regência os espanhóis foram vencidos na batalha de Linhas de Elvas,
sendo os efeitos morais desta vitória importantes para o País. A 23 de Junho de
1662 D. Afonso VI tomou conta do governo e nomeou seu primeiro ministro o conde
de Castelo Melhor que, em pouco mais de 7 anos orientou a guerra, contribuiu
para o triunfo e melhorou as finanças públicas. As vitórias do Ameixial, Castelo
Rodrigo e Montes Claros levaram a Espanha a assinar a paz e a desistir das
pretensões sobre Portugal. D. Afonso VI casou com D. Maria Francisca Isabel de
Sabóia que, de imediato, favoreceu o partido do cunhado contra o esposo,
protestando também contra o seu casamento, declarando-o não consumado. O infante
D. Pedro, apoiado por grande número de nobres, levou o irmão a dar-se como
incapaz e a passar-lhe o governo. Após o auto de desistência “23 de Novembro de
1667” o rei ficou de facto, privado da coroa e da liberdade. Confinado primeiro
aos aposentos do Passo foi, em 1669, mandado para a Ilha Terceira, nos Açores,
de onde voltou em 1674 para passar os últimos 9 anos de vida encarcerado no
palácio real de Sintra. Ali morreu, a 12 de Setembro de 1683. Jaz na Igreja de
S. Vicente de Fora

D.
PEDRO



PRÍNCIPE
REGENTE


1667 –
1683


Terceiro filho varão de D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão,
nasceu em Lisboa em 1648. Após o casamento de seu irmão D. Afonso VI com D.
Maria Francisca Isabel de Sabóia (1666 ), estabeleceu-se entre esta, o seu
cunhado e um conjunto de nobres, um entendimento que levou o rei a aceitar a sua
incapacidade e a desistir do trono a favor do irmão. Anulado o casamento, D.
Pedro reteve preso seu irmão, assumiu a regência do reino e casou com a rainha
sua cunhada. Tendo sido descobertos planos do governo espanhol para repor no
trono de Portugal D. Afonso VI, foi este transferido do castelo de Angra para os
Paços de Sintra, onde veio a falecer. A partir de 1677 estabeleceu-se no País a
cunhagem mecânica da moeda, por meio de um engenho (balancé) que conferia grande
regularidade à posição dos cunhos e à pancada, ao mesmo tempo que a introdução
da “sarrilha” vinha impedir o cerceio, fraude muito comum nas moedas deste
tempo. O melhoramento, já em uso noutros países, deveu-se a D. Luís de Meneses,
terceiro conde da Ericeira e vedor da Fazenda.

D. PEDRO
II



O
PACÍFICO


1683 –
1706


D. Pedro II foi aclamado rei em 12 de Setembro de 1683, por morte de seu
irmão D. Afonso VI. A 27 de Dezembro do mesmo ano faleceu a rainha D. Maria
Francisca e, não havendo descendência masculina, Foi D. Pedro instado para casar
Segunda vez, o que aconteceu em 1686, com D. Maria Sofia Isabel de Neuburg,
filha do Eleitor Palatino. Por instigações da Inglaterra, Portugal associou-se à
chamada Grande Aliança, afim de defender a alegada preferência de direitos à
coroa de Espanha pelo arquiduque Carlos, filho de Leopoldo I da Alemanha, Também
apoiado pela Holanda, Inglaterra e Sabóia. Depois de várias vitórias iniciais,
as forças espanholas e francesas recuperaram e obrigaram os aliados a retirar-se
para Portugal, onde entraram com perdas consideráveis. D. Pedro II era dotado de
grande força física, jogava as armas com mestria e era notável a sua perícia
como cavaleiro e na tauromaquia. Tinha grande afeição `s mulheres. Apesar do
muito que se escreveu nunca se conseguiu atenuar a imoralidade do modo como
procedeu para com o seu irmão e rei, D. Afonso VI. Faleceu a 9 de Dezembro de
1706 e está no jazigo da Casa de Bragança, na Igreja de São Vicente de
Fora.

D. JOÃO
V



O
MAGNÂNIMO


1706 –
1750





Vigésimo quarto rei de Portugal, D. João V era filho de D. Pedro II e de
sua Segunda mulher, D. Maria Sofia. Nasceu em Lisboa em 1689 e reinou de 1706 a
1750. Exerceu o governo absoluto e nunca reuniu cortes. Durante o seu reinado
entraram em Portugal, provenientes das minas de ouro e diamantes do Brasil,
incalculáveis riquezas, porém nunca as aplicou no desenvolvimento do País, tendo
esbanjado milhões de cruzados em doações a igrejas e mosteiros e em
prodigalidades insensatas. O luxo da sua corte era assombroso e as quantias
enviadas para Roma para pagamento de canonizações e indulgências ultrapassaram
os duzentos milhões de cruzados, mas o povo teve que pagar a construção do
Aqueduto das Águas Livres com o produto de um novo imposto. A fundação da
Academia Real da História, do Arsenal da Marinha, da nova Casa da Moeda e de
algumas poucas fábricas não foi bastante para reabilitar este reinado, um dos
piores da História portuguesa. D. João V morreu paralítico no dia 31 de Julho de
1750 e, como os seus antecessores foi para o Panteão da Casa de Bragança, em S.
Vicente de Fóra.

D.JOSÉ
I



O
REFORMADOR


1750 –
1777


Nasceu em Lisboa o vigésimo quinto rei de Portugal, no dia 6 de Junho de
1714. Casou com D. Mariana Vitória, infanta de Espanha, em 1728 e subiu ao trono
em 31 de Julho de 1750. Dois dias depois nomeou para ministro Sebastião José de
Carvalho e Melo, depois conde de Oeiras e marquês de Pombal. O terrível
terramoto que destruiu Lisboa em 1755, deu ensejo a que este estadista revelasse
as suas grandes faculdades. A partir de então, D. José entregou-lhe
completamente a direcção dos negócios públicos, do que resultou o despertar do
País do seu torpor de dois séculos, restituindo-lhe alento e vida pelas reformas
introduzidas no reino. O marquês de Pombal foi um grande estadista, reformador
inteligente e enérgico, todavia despótico. A época não se prestava a governar
com branduras e as reformas em todas as nações são quase sempre feitas com
grande severidade. Sem muitas qualidades, D, José soube, no entanto, compreender
o  valor do homem que o destino pusera a
seu lado e teve o bom senso de lhe conservar intacta a sua confiança até ao
derradeiro momento da sua vida. À sega confiança que depositou em Sebastião
José, deve o seu reinado Ter sido um dos mais notáveis da nossa História. Morreu
em 24 de Fevereiro de 1777, vitimado por uma apoplexia e jaz no Mosteiro de S.
Vicente de Fóra.

D. MARIA
I

E D. PEDRO
III



1777 –
1786


D. Maria I nasceu em Lisboa a 17 de Dezembro de 1734.  Casou com o infante D. Pedro, seu tio, em 6
de Junho de 1760 e subiu ao trono em 24 de Fevereiro de 1777. Desde logo
intitulou de rei seu esposo, exonerou Sebastião José de Carvalho e Melo de todos
os cargos políticos, e desterrou para a vila de Pombal. Quatro dias após
abriram-se as prisões e mandaram-se regressar ao reino dos desterrados, estando
compreendidas neste indulto cerca de oitocentas pessoas. A exemplo do que fizera
o seu avô para Ter sucessão, fez voto em edificar um templo, o que cumpriu,
tendo as obras começado em 1779 e ficado concluídas em 1790. O sumptuoso
monumento, mais conhecido por Basílica da Estrela, custou 16 milhões de cruzados
e foi denominado do Santíssimo Coração de Jesus, tendo sido batidas diversas
medalhas, alusivas ao facto. D. Pedro III, incapaz de aconselhar a espoas na
resolução dos negócios do estado dedicava todos os actos da sua vida á religião,
tendo morrido de apoplexia em 25 de Maio de 1786.

D. MARIA
I



A
PIEDOSA


1786 –
1799


D. Maria foi uma senhora de grandes qualidades e bastante instrução mas,
muito entregue ao misticismo, eivou-se de escrúpulos religiosos, tornando-se
indecisa e tímida na resolução de importantes negócios do seu governo. Todavia,
no seu reinado, continuou-se o fomento do comércio e da indústria, na sequência
do reinado anterior, mas com nova orientação; fizeram-se progressos na
instrução, nas artes e nas ciências; reformaram-se as normas dos processos
judiciais; criou-se uma orgânica policial e de assistência, em que se tornou
notável Pina Manique; reconstituiu-se a Ordem Militar de Cristo. À morte do
marido, em 1786, e a do príncipe herdeiro, D. José, em 1788, com 27 anos, e que
fora uma grande esperança para o desenvolvimento do País, pela sua inteligência
e ideias avançadas, agravaram profundamente o sistema nervoso de D. Maria I. Foi
ainda corrente a opinião de que as notícias vindas da França, da tomada da
Bastilha, a fuga dos reis e a revolução republicana, tinham afectado seriamente
o estado psíquico da rainha. Nos finais de 1792 estava já em estado de idiotia
e, entretanto, tinha tomado conta do governo, desde 10 de Fevereiro, o Príncipe
do Brasil, D. João, futuro rei. D. Maria I vem a morrer em 20 de Março de 1816.
Jaz em túmulo na Basílica da Estrela.

D.
JOÃO







PRÍNCIPE REGENTE


1799 –
1816


D. João nasceu em Queluz a 13 de Maio de 1767, filho de D. Maria I e de
D. Pedro III. Por doença da rainha mãe, o príncipe D. João chamou a si o encargo
do governo, desde 10 de Fevereiro de 1792, assumindo-o definitivamente, como
Príncipe Regente, a partir de 15 de Julho de 1799, até à morte de sua mãe. A
Guerra do Rossilhão (1793), a guerra com a Espanha e o desastroso tratado de paz
de Badajoz, que lhe pôs termo (1801), marcam os primeiros tempos de regência. Em
1807 Napoleão assina com a Espanha um tratado que suprimia o reino de Portugal
da carta política da Europa e dividia o território português em três estados, um
dos quais pertenceria ao rei da Etrúria, o segundo ao Príncipe da paz,
reservando a França o terceiro para si. Nesse ano, um exército comandado por
Junot invadiu Portugal. Na véspera da sua entrada em Lisboa, em 29 de Novembro,
a família real, a corte e muitos outros fidalgos embarcaram para o Brasil.
Enquanto o povo português lutava para expulsar do seu solo o invasor, o príncipe
ocupava-se em administrar e desenvolver aquela colónia, que lhe ficou a dever
grandes progressos e melhoramentos, e onde a sua memória e objecto de muito
natural e legítima gratidão.

D. JOÃO
VI



O
CLEMENTE


1816 –
1826


Após a morte de sua mãe, a 20 de Março de 1816, D. João tomou o título
de rei, embora só fosse coroado a 6 de Fevereiro de 1818. A administração do
Reino estava a cargo de uma regência, que Beresford dominava completamente. A
Revolução de 1820 substituiu a regência por uma Junta Provisória e convocou as
Cortes. Estas redigiram uma Constituição, que D. João VI declarou aprovar e
querer também aplicar ao Brasil, já então elevado a reino. Partiu em seguida
para Portugal (26 de Abril de 1824), deixando por lugar-tenente no Brasil seu
filho primogénito D. Pedro. Chegado a Lisboa a 3 de Julho de, juntou a
Constituição – demasiado progressista e democrática -, o que sua mulher D.
Carlota Joaquina se recusou a fazer, sendo por isso exilada para a Quinta do
Ramalhão. Daqui, com seu filho o infante D. Miguel, promoveu em 1823 uma contra-
revolução (Vilafrancada), que restabeleceu o absolutismo e o rei aceitou. A esse
tempo D Pedro havia já proclamado a independência do Brasil e aceite o título de
Imperador. Em 30 de Agosto de 1824 eclodiu nova revolta miguelista, conhecida
por Abrilada, a qual obrigou D. João VI a recolher-se a bordo de uma nau inglesa
e acabou por levar D. Miguel ao exílio. Este acto de ingratidão e de revolta do
seu filho e o problema da independência do Brasil, afectaram a saúde do monarca.
Adoeceu gravemente em 4 de Março de 1826 e faleceu no dia 10. Deixou o reino
confiado a um conselho de regência presidido pela sua filha, infanta D. Isabel
Maria.

D.PEDRO
IV



O REI
SOLDADO


1826 –
1828


D. Pedro IV foi o vigésimo oitavo rei de Portugal e primeiro imperador
do Brasil. Filho de D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina, nasceu em Lisboa
em 1798. Em 1807, acompanhou a família Real ao Brasil e aí casou em 1816 com D.
Maria Leopoldina, arquiduquesa de Áustria. Quando do regresso de D. João VI a
Portugal, ficou D. Pedro regente do Brasil, já então elevado a reino, onde após
várias agitações revolucionárias e cedendo aos votos da nação brasileira,
proclamou a independência do estado brasileiro em 7 de Setembro de 1822. Tendo
abdicado a coroa de Portugal a favor de sua filha, foi esta esbulhada do trono
por D. Miguel. D. Pedro abdicou o império do Brasil a favor de seu filho D.
Pedro de Alcântara, então com cinco anos e embarcou para a Europa, afim de
reconquistar para sua filha, o trono português. A 8 de Julho de 1832, desembarca
no Mindelo, e no dia seguinte entra no Porto, onde sustentou durante mais de um
ano, apertado cerco, repelindo vitoriosamente todos os ataques das forças
miguelistas. O duque da Terceira tomara entretanto Lisboa, tendo partido D.
Pedro para a capital, onde foi acolhido com enorme entusiasmo. A Convenção de
Évora Monte selou a vitória da causa liberal, mas D. Pedro poucos meses
sobreviveu ao seu triunfo, sendo a sua morte a 24 de Setembro de 1834, pranteada
pelo povo a quem dera a liberdade.

D. MIGUEL
I



O
ABSOLUTO


1828 –
1834


D. Miguel, sétimo filho e terceiro varão de D. João VI e da rainha D.
Carlota Joaquina, nasceu em Queluz a 26 de Outubro de 1802. Foi com a família
real para o Brasil, de onde regressou em 1821 com seu pai. Promoveu com a mãe a
revolta conhecida por Vilafrancada e, a seguir, a Abrilada, sendo então exilado
para Viena de Áustria. Em 1826 jurou a Carta Constitucional, reconheceu seu
irmão D. Pedro como sucessor legítimo de seu pai e aceitou contrair matrimónio
com sua sobrinha D. Maria. Assim, foi nomeado lugar-tenente do Reino e em 1828
assumiu a regência, jurando novamente fidelidade à rainha e à Carta. Semanas
depois fez-se aclamar rei absoluto e iniciou um período de perseguição aos
liberais.

Seguiu-se a luta civil de 1832 – 1834, que terminou com a convenção de
Évora Monte. D. Miguel partiu para exílio definitivo, não podendo regressar ou
pisar lugar algum da Península ou dos domínios portugueses. Os chefes
absolutistas, na maior parte imprevidentes e maus, apoiados por sequazes
ignorantes e fanatizados, além de perderem a sua própria causa, tornaram
malquisto um príncipe cuja educação, quase exclusivamente entregue a picadores e
toureiros, o inabilitava de governar o reino, ou mesmo de escolher homens
competentes que o fizessem em seu nome. Casou na Alemanha com a princesa D.
Maria Teresa de Loewenstein-Wert- heim e faleceu em Brombach em
1866.

D. MARIA
II



A
EDUCADORA


1834 –
1853


D. Maria II nasceu no Rio de Janeiro em 4 de Abril de 1819, tendo sido
Princesa da Beira e do Grão-Pará. Por abdicação de seu pai, D. Pedro IV, sobe ao
trono em 2 de Maio de 1826, mas só assume o governo do reino em 20 de Setembro
de 1834. A 1 de Dezembro do mesmo ano casa com o príncipe Augusto de
Leuchtemberg, que morre em 28 de Março seguinte. A 9 de Abril de 1836 casa,
outra vez, com D. Fernando Augusto, filho do duque de Saxe-Coburgo- Gotha, tendo
investido o marido do título de rei, (D. Fernando II) após o nascimento do
primeiro filho. O reinado desta rainha foi um período de incessantes lutas
civis. Os partidos políticos não compreendiam os princípios liberais e
guerreavam-se com cega violência. As revoltas militares, que se seguiam quase
sem interrupção, mantinham o País em permanente guerra civil. A revolução de
Setembro, a Belenzada (1836), a revolta dos Marechais (1837), os motins do
Arsenal, o governo tirânico e perseguidor de Costa Cabral, a revolta de Saldanha
(1851) e a reforma da Carta Constitucional (1852), que enfim restabeleceu a
concórdia entre os portugueses, são os factos culminantes dessa época agitada.
Dotada de altas virtudes e de vontade enérgica, D. Maria II suscitou ódios
políticos, mas foi sempre venerada, como esposa e mãe de família, pelos seus
mais ardentes adversários. Em 15 de Novembro de 1853 morre em Lisboa, vítima de
parto, com o nascimento do seu décimo primeiro filho, tendo sido depositada no
jazigo de São Vicente de Fora.

D. PEDRO
V



O
ESPERANÇOSO


1853 –
1861


Trigésimo rei de Portugal, D.
Pedro V nasceu em Lisboa em 16 de Setembro de 1837. Tinha então 16 anos de idade
quando, por morte de sua mãe, sobe ao trono, tendo seu pai, D. Fernando II,
exercido o governo da nação na qualidade de regente do reino. Em 16 de Setembro
de 1855 assume o governo, presidindo nesse mesmo ano à inauguração do primeiro
telégrafo eléctrico do País e, no ano seguinte (28 de Outubro), inaugura o
caminho de ferro que liga Lisboa ao Carregado. Portugal é, por essa altura,
flagelado por duas epidemias, uma de cólera, que grassa de 1853 a 1856, e outra
de febre amarela, principalmente em 1856 e 1857. Durante esses anos o rei, em
vez de se refugiar percorria os hospitais e demorava-se à cabeceira dos doentes.
Em 29 de Abril de 1858, D. Pedro casa com D. Estefânia de Hohenzollern
Sigmaringen, que faleceu em 17 de Julho seguinte, vítima de difteria. O jovem
monarca foi também vitimado, a 11 de Novembro de 1861, por uma febre tifóide,
quando tinha apenas 24 anos de idade. Não deixou descendentes. D. Pedro V teve
uma notável preparação moral e intelectual, para o melhor desempenho do pesado
encargo que o esperava. Estudara ainda ciências naturais, e filosofia, dominava
bem o grego e o latim e estudara também o inglês. Por duas vezes percorrera
diversos países da Europa, em viagens de estudo. O seu espírito terá sido muito
influenciado pela convivência que teve com Alexandre Herculano, que foi seu
educador.

D. LUÍS
I



O POPULAR


1861 –
1889


D. Luís nasceu em Lisboa em 31 de Outubro de 1838, tendo sido o
trigésimo primeiro rei de Portugal. Por falta de descendência D. Pedro V, seu
irmão, D. Luís herdou a coroa em 11 de Novembro de 1861, e foi aclamado rei a 22
de Dezembro desse ano. Em 27 de Setembro do ano seguinte casa com D. Maria Pia
de Saboia, filha do rei de Itália Vítor Manuel II. Em 23 de Fevereiro de 1869
foi promulgado um decreto mandado cessar imediatamente o estado de escravidão em
todos os territórios portugueses. Nessa época a África desperta o interesse da
Europa, tendo-se realizado a célebre Conferência de Berlim ( 1884 – 1885 ). D.
Luís I morreu em Cascais a 19 de Outubro de 1889, tendo sido modelo de monarcas
constitucionais. O seu reinado foi notável pelo progresso, pela paz social, pela
convivência política e pelo respeito pelas liberdades públicas. Nele viveu uma
geração notabilíssima de intelectuais. Para os coleccionadores de moedas D. Luís
foi, sobretudo o rei numismata. Tendo encontrado no Paço da Ajuda um Gabinete de
Numismática, que já existia em 1795, começou a comprar moedas e medalhas para os
seus estudos de História, em 1867, adquiriu a grande e bem organizada colecção
do Dr. Augusto Carlos Teixeira de Aragão, nomeando-o também Conservador do
Gabinete. Esta notável colecção estava aberta ao público no Palácio, e está
hoje, conjuntamente com a da Casa da Moeda, mas com registos separados, no
;museu Numismático Português. 


D. CARLOS
I



O
DESVENTURADO


1889 –
1908


D. Carlos I, trigésimo segundo rei de Portugal, nasceu em Lisboa a 28 de
Setembro de 1863, tendo casado com D. Maria Amélia de Orleans a 22 de Maio de
1886. Por morte de seu pai, sobe ao trono em 19 de Outubro de 1889. O reinado de
D. Carlos foi fértil em dificuldades. Devido à política do Ultramar, com o
projecto de unir Angola e Moçambique  -
conhecido por “ mapa cor-de-rosa” – deu-se o ultimato inglês, de 11 de Janeiro
de 1890, que motivou enormes clamores contra a Inglaterra e a aliança inglesa,
mas que se reflectiram principalmente contra a monarquia. A 31 de Janeiro de
1891, a revolta que eclodiu no Porto, embora dominada sem dificuldades,
contribuiu contudo para um fortalecimento e expansão do partido republicano que
a organizara. D. Carlos acabou por morrer assassinado em Lisboa, num atentado de
que foi também vítima o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, em 1 de Fevereiro de
1908.

D.MANUEL
II



1908 –
1910


Trigésimo terceiro rei de Portugal, D. Manuel II era filho de D. Carlos
I e de D. Maria Amélia, tendo nascido em Lisboa em 15 de Novembro de 1889. O
atentado de 1 de Fevereiro de 1908, em que se sucumbiram seu pai e seu irmão,
elevou-o inesperadamente ao trono. Foi um reinado curto e angustioso o deste
monarca. Também um desastroso terramoto abala o País em 1909. O jovem soberano
soube captar a simpatia e a afeição do povo português, pela sua modéstia e
gentileza e pelo desvelado interesse que manifestou de bem desempenhar a sua
missão. Mas a 4 de Outubro de 1910, devido á actividade intensa do Partido
Republicano, ocorreu em Lisboa um movimento revolucionário, de que resultou a
proclamação da República no dia seguinte. D. Manuel refugiou-se o bordo do iate
real “ D. Amélia “, no qual seguiu para Gibraltar e daí para Inglaterra. Em 4 de
Setembro de 1913 casa com D. Augusta Vitória de Hohenzollern e morre a 2 de
Julho de 1932, sem deixar herdeiros. Os seus restos mortais foram transportados
para Portugal e encontram-se no Panteão de São Vicente de Fóra.








Textos retirados do Livro Moedas Portuguesas, edição 1996, autor
A.Gomes



Ultima actualização feita nesta secção em 06 Março 2003